
Figura 4.2 – Representação da rede cristalográfica da aragonita.
Na aragonita (Figura 4.2), as distâncias entre os átomos Ca e O (do íon CO3) são substancialmente maiores do que as distâncias entre os mesmos átomos na calcita (Figura 4.3); essa relação parece contradizer o fato de que aragonita (densidade = 2,947g/cm3)é mais densa do que a calcita (densidade = 2,7102g/cm3). Ainda que a maior densidade da aragonita seja vulgarmente atribuída à coordenação do cálcio por nove oxigênios ao invés da coordenação por seis oxigênios observada na calcita, tal explicação é pouco satisfatória, uma vez que no final, o envolvimento mútuo dos íons Ca por seis vizinhos é o mesmo em ambos os casos (considerando a repetição da celúla unitária). Neste contexto, é interessante considerar os átomos de oxigênio.
As distâncias entre os oxigênios dos diferentes grupos de CO3 são menores na aragonita. As distâncias entre os átomos de oxigênio entre os diferentes grupos CO3 variam de 3,23 a 2,75Å, dependendo da aresta observada (no poliedro formado pela célula unitária). Este último valor é próximo de dois raios iônicos de oxigênio, e tal proximidade entre dois oxigênios não é incomum para uma aresta que é compartilhada por dois poliedros de coordenação adjacente. Ainda que as arestas mais longas sejam incluídas, a média de 3,17Å para as distâncias de O-O entre os diferentes grupos de CO3 na aragonita é menor do que a mais curta aresta O-O (3,26Å) no octaedro CaO6 da calcita.
Figura 4.3 – Representação da rede cristalográfica da calcita.
Conclui-se que a maior densidade de aragonita em relação à calcita é devido ao empacotamento mais eficiente dos grupos CO3, ao invés da diferença entre a coordenação Ca-O. Assim, o vínculo mais curto de Ca-O na calcita é sobrecompensado por grupos de CO3 mais compactos na aragonita.
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