3.4. PRESSÃO PREDATÓRIA

Conodontes (incluindo paraconodentes e euconodontes) são caracterizados por estruturas dentais de fosfato de cálcio com tecido tipo dentina, e tidos como os primeiros cordados, a aproximadamente 510 Ma.

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Figura 3.6 – Conodonte. Representação à esquerda e fóssil da estrutura dentária à direita. Imagem do fóssil obtida em http://commons.wikimedia.org/

Provavelmente foi a vantagem seletiva anti-predatória que dirigiu a evolução primitiva em muitos clados (por fornecer proteção contra predadores, a energia gasta na produção de estruturas mineralizadas deve variar ao longo do tempo em função da pressão predatória), e a irradiação cambriana tem início com a diversificação de bilaterais esqueletizados, como os protoconodontes (Figura 3.6). Protoconodontes representam, possivelmente, os mais antigos restos esqueléticos atribuídos a animais bilaterais. Apresentam estruturas calcificadas (possivelmente fosfato de cálcio) associadas aos dentes – a principal hipótese sugere que estas estruturas sejam modificações mineralizadas de parte do conjunto de brânquias – responsáveis por, entre outras aquisições,  o aumento da abundância e da força mecânica dos predadores “trituradores-de-conchas”, que por sua  vez estimulou a seleção de conchas mais duras, mais ornamentadas e com maior capacidade regenerativa, além do surgimento de comportamentos anti-predatórios (p. ex. enterramento). Pelos menos 3 vezes nos últimos 600 milhões de anos o aumento da pressão predatória estimulou mudanças evolutivas na distribuição filogenética e na biologia funcional dos esqueletos mineralizados.

As condições ambientais do Cambriano Posterior tornaram proibitivos os custos dos esqueletos carbonados, e a alteração dessas condições pode ter contribuído para a irradiação do Ordoviciano. Em qualquer evento, a evolução filogeneticamente ampla dos esqueletos robustos como parte de um aumento geral na diversidade biológica sugere, novamente, que uma crescente eclosão da pressão predatória contribuiu com o padrão evolutivo observado: novos predadores de elevada importância incluem cefalópodes nautilóides e equinodermos asteroideos. A diversificação do Ordoviciano ocorreu em um contexto de atividade tectônica crescente, implicando no aumento do fluxo de nutrientes para os oceanos. Tal condição ajudaria a explicar o aumento dos tamanhos corporais e dos mecanismos de predação nos oceanos ordovicianos.